sábado, 2 de setembro de 2017

A bela arte da simplicidade em tempo de excessos




Estamos vivendo - eu, vocês e todos nós deste lugar e deste tempo - uma intensa onda de transformações nos mais diversos comportamentos. Pense em como era fazer trabalhos escolares 10 ou 20 anos atrás, os recursos que seu primeiro celular tinha, a forma como comprava objetos para sua casa e até o tamanho de um vídeo que você via no YouTube quando este surgiu há 12 anos!
Instintivamente, sempre tive o hábito de relacionar acontecimentos a números e momentos de minha vida - o que fazia em tal ano, o que acontecia no mundo quando tinha determinada idade, em que mês tal coisa houve... Soa uma loucura, mas isso sempre me ajudou muito a contextualizar fatos e entender as épocas da História em qualquer coisa que eu estudasse na escola ou visse num filme, por exemplo.
Falei tudo isso para justamente contrapor esses dois elementos que tantos filósofos contemporâneos analisam e se debruçam sobre tentando entender como será o bicho homem nas próximas décadas. Ao passo que temos uma vida cada vez mais dominada e simplificada pela tecnologia, estamos vendo como se tornam cada vez mais preciosos os momentos de simplicidade.
Você coloca suas contas no débito automático, paga a maior de suas contas por meio de cartões, compra praticamente o que quer em lojas virtuais e recebe  isso em casa, aprende de tudo em vídeos online, de uma receita simples para o almoço até os mais variados instrumentos musicais e idiomas. Nunca se produziu e disponibilizou-se tanta informação, nunca se tirou tanta foto e, claro, nunca nos sentimos mais "perdidos" em toda a nossa trajetória neste planeta.
Conforme dá pra perceber, este tema e o universo de possibilidades que ele traz me instiga ao extremo, nos melhores e piores sentidos. Conhecemos cada vez mais o ser humano, das minúsculas células a sua diversidade de pensamento e comportamentos, porém é até sombrio imaginar o que toda essa inteligência pode trazer num futuro próximo.
E pensei que toda essa viagem que fiz neste texto era inicialmente para falar sobre desapego e um estilo de vida mais simples.  Ainda dá tempo... Chega de acumular roupas, doe os livros que você não vai ler mais, libere espaço pra andar em casa, abra as janelas, respire ar puro, observe o vôo das borboletas e dos pássaros, brinque com o cachorro, ria ao ver um filme bobo, reencontre velhos amigos, abrace seus pais. Seja você. E você não precisar acumular coisas pra ser você (isso seria aquela tolice de querer impressionar). Que nunca deixemos nossa pequena criança morrer.
E pra fechar, deixo um vídeo do filósofo Mário Sérgio Cortella, sempre esbanjando conhecimento e refletindo sobre temas variados de forma bem humorada.



domingo, 11 de junho de 2017

Bora fazer uma mudança?


"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." 
(Oscar Wilde)


Este blog que tenho mantido nos últimos anos tem me permitido, mesmo que não propositalmente, fazer uma espécie de sessão de análise pública. Tenho falado sobre todo tipo de questão, especialmente os assuntos caros a mim: arte, sociedade, política, natureza, sentimentos... Curioso que sempre que encontro os textos do passado acabo me lembrando do que estava passando naquele momento e como isso prova que sobrevivi a algo que não estava sendo fácil. Uma prova da importância da resistência, da reflexão, de não agir de cabeça quente nem querer dar passos maiores que as minhas pernas permitem.
Neste instante da minha existência, conforme o título do texto denota, tenho sentido mais do que nunca a importância da mudança: de casa, de trabalho, de comportamentos. Percebo (e como é chato perceber isso), que estou numa fase de relaxamento, mas não o relaxamento gostoso do descanso e do prazer. É aquele que a princípio parece bom: ok, estou aqui, tenho condições de viver assim, mas justamente isso fica desgastante com o tempo. É como um namoro chato com você mesmo. A princípio parece que está bom, mas a longo prazo revela-se uma armadilha, uma prisão que te limita e te sujeita a condições desfavoráveis.
O livro que quase terminando de ler atualmente - FOGO FÁTUO - TRINTA ANOS ESTA NOITE, de Drieu la Rochelle - tem acendido ainda mais em mim esse desejo da mudança, as alterações que preciso fazer para ter um novo estilo de vida, porém que não sei como começar. Irônico citar o livro pois o protagonista deste é justamente o oposto da mudança. Alain é um jovem viciado em drogas na Paris da primeira metade do século, uma pessoa que se rende a tal condição por perder completamente a alegria de uma vida que para ele não tem mais qualquer sentido, conforme o trecho:

 "Sucidar-se? Não é preciso, a vida e a morte são uma mesma coisa. Do ponto de vista do eterno em que estou agora, em que sempre estive, em que sempre estarei".

Mas confesso, claro, que tive sim muitos momentos de pensar como o Alain do livro. Aquela crise e aquela raiva de bater a cabeça contra a parede e achar que todos que cresceram próximo a você se deram melhor na vida. Isso é o pior de comparação, o estereótipo da inveja e a mudança do foco principal: eu tenho que ser meu parâmetro, minha referência. O que faço com o que a vida deu e dá a mim? É isso que deve ser analisado sempre.
Otimismos e pessimismos à parte, eu sigo em frente. É metade de 2017 e sinto que os ventos de mudança se aproximam, assim como preciso ter mais dedicação para alcançar minhas metas. Este é mais um texto e o mundo segue girando, estejamos espertos ou não. Mas espero que sim.




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Já se observou hoje?




Não importa se fala sozinho, com alguém ou só olhando no espelho mesmo. É bom (e bota bom nisso) parar de vez em quando para desabafar sentimentos, frustrações e tudo mais que tiver preso aí dentro da sua cabecinha neste mundo repleto de gente e informações. Já postei muitos textos aqui falando sobre minhas inquietações existenciais: quero publicar livro, ver peça encenada, ter roteiro filmado, ter uma casa só minha, viajar para outros países, dar uma melhorada em certas partes do corpo... Essa energia que toma meus pensamentos e me faz querer sair correndo às vezes diante do desespero de não saber por onde começar ou quando vou finalmente realizar tais coisas que disse.
Tenho um trabalho para ter certo dinheiro, junto dinheiro, gasto dinheiro, vejo filmes e vídeos na internet, paro pra ler o livro que escolhi, penso no que comprar para o quarto... E sou desses que busca simplificar ao máximo as coisas para sobrar tempo e não ter preocupações com questões chatas do dia-a-dia.
Hoje, aos 26, ora me sentindo um menino ingênuo de 10, ora um idoso de 90, pessimista e cansado de tudo, é como ver a adolescência e a infância ficando cada vez mais longe e a vida adulta cada vez maior. Por outro como são os momentos de só respirar, deixar a ansiedade e todas essas angústias de lado. Apenas deitar um pouco, tomar uma xícara de café (viciado confesso) ou dar aquele passeio com um dos cachorros que moram em casa com minha família naquele bairro distante do centro, meio subúrbio, meio campo. Nunca soube muito bem qual a classificação exata...
Se for ler isso, espero que mais este breve texto do meu blog traga algo para seu dia. Tudo tem seu tempo e uma causa para acontecer, por mais louco que seja tentar entender isso. Olho para minha vida hoje e vejo que todos os altos e baixos do passado foram necessários para o agora, o processo de crescimento. As peças são combinadas de uma forma enigmática, porém com grande lógica. Viva, viva, viva. Seja você e do bem! Isso aqui não é pra ser autoajuda, mas cai bem. Pra mim e pra você. Fui.

domingo, 26 de março de 2017

Depois que a Estrada Termina (trechos)


Inspirado livremente em fatos reais

Os breves trechos abaixo são de duas passagens do roteiro de um curta-metragem que escrevi há alguns anos. Minhas maiores inspirações para tal foram  a notícia de uma família criminosa de Garanhuns, Pernambuco, assim como o clássico do terror "O Massacre da Serra Elétrica' (1974). Sem mais detalhes para não estragar o segredo da história.
Já tentamos filmá-lo uma vez, mas não foi possível desenvolver à época. De qualquer forma, nunca é tarde para realizar...


TRECHO I:
A fachada da casa velha.

Uma jovem de cerca de 20 anos está correndo agoniada na propriedade. Seu rosto está próximo e ela muito ofegante. Os cabelos estão desgrenhados.
As paredes e janelas da casa estão em estado precário, descascando.
A jovem corre olhando apreensiva para trás.
A casa está em um local aparentemente vazio. O mato cresce ao redor.
A jovem vê um portão fechado. Suas mãos tentam desesperadamente abrir. Ela volta a olhar angustiada para trás. A moça consegue abrir o portão. Ela está descalça, os cabelos bagunçados e a calça jeans e a camiseta sujas. Ao correr, ela tropeça, mas logo se levanta e segue.



TRECHO II:
Quarto.
O rosto em choque de Nicole.

DONA BETH
Oi querida! Até que enfim a gente se conheceu... Então... (Breve pausa) Olha pra você... Mas que pele boa, menina. E essas roupas aí... Fazia tempo que eu não via uma pessoa tão elegante assim... (Pausa) Eu não vou mais pra cidade. (Pausa) Você não faz ideia. Já fui moça assim que nem ocê. Mas um dia acabaram com a minha paz. Abusaram... Aí eu tive que ficar por aqui mesmo... Eu resolvo tudo. Aqui dá pra viver. Na cidade, ninguém é feliz. Todo mundo só corre. É barulho o dia inteiro. O meu filho, menino de ouro, ele me ajuda demais. Tem bom gosto. Nunca falta material pra fazer empada. E cliente tem de sobra. As empadas são recheadas. O povo da roça gosta. Tem sustança. (Pausa) Vamos começar mais uma? Escolhe aí... Moça formosa ou rapaz troncudo? Eu não faço isso com todos. Só com aqueles que não têm cura. Hoje mesmo eu soltei uma menina, coitada. Ela precisava de uma chance. E ocê? O que vai querer?




sábado, 18 de fevereiro de 2017

Pense por si mesmo!




Ontem, por acaso, assisti a um extra de um velho DVD de minha coleção. E foi uma excelente surpresa poder me deliciar com o conteúdo e as memórias daquela que foi uma das maiores atrizes de Hollywood e uma das mulheres mais significativas do século 20: Katharine Hepburn (1907-2003). Filha de médico e uma ativista pelos direitos das mulheres, ela foi, desde cedo, ensinada a pensar por si própria e não se tornar uma vítima da sociedade. E foi exatamente assim que a senhora que narra o documentário seguiu durante toda sua vida, fosse no teatro, nos filmes ou na vida amorosa. Desde usar calças numa época em que pouquíssimas mulheres o faziam, decidir não ter filhos por opção própria ("já tem gente demais no mundo") e até fugir do glamour de Hollywood, incluindo não comparecer às cerimônias para receber seus quatro Oscar (até hoje um recorde). Mas, enfim, falar dessa grande mulher foi só para introduzir e me dar ideia pra escrever mais um texto neste meu espaço.
Ser uma pessoa de opiniões próprias no mundo atual poderia ser uma realidade concreta, mas infelizmente parecemos estar vivendo um retrocesso e uma triste onda de conservadorismo no Brasil e muitos países atualmente. Se uma criança nasce pura e com a mente aberta, seus pais, a religião, a escola e outros fatores externos acabam por moldá-la para qualquer coisa que represente seus interesses morais, financeiros ou o que for. Eu, obviamente, fui influenciado por esses fatores citados, mas nesta minha curta trajetória não me lembro de ter cedido a algo que não concordasse para permanecer num barco. Não faço parte de grupinhos para parecer mais forte, não "encho a cara" para me enturmar, não gosto de futebol porque a maioria dos homens gosta (ou diz que gosta) nem vou comprar a roupinha da moda para me exibir. São exemplos simples, mas só acho que servem pra reforçar a importância de não aderirmos a coisas de que não precisamos. Eu tenho consciência do que gosto e quero para minha vida. Infelizmente, a maioria simplesmente entra a roda e vemos por aí uma porção de cópias e variações de pessoas que agem da mesma forma.
Quanto à conduta individual, é uma questão de escolha e cada um pensa ou copia quem quiser, problema seu. Mas isso muda de caráter quando afeta a coletividade. O líder de uma igreja querer que todos sigam seus mesmo preceitos, o ruralista querer a todo custo destruir florestas e afetar a vida natural, o corrupto defender a anistia para os que têm estado em condutas duvidosas como ele... A cada dia que abro os principais sites de notícias é sempre uma enxurrada de negatividade. Não gosto de soar pessimista, mas é terrível ter que conviver com isso, esse ciclo de problemas que se repetem. Os que estão com o poder atualmente foram, obviamente, escolhidos por nós, mas as razões que os colocaram lá são das mais distintas. Não importa se foi o voto por uma dentadura ou propinas milionárias de empreiteiras, é tempo de mudar. Isso aqui é só meu blog pessoal, mas fico feliz de ter expressado minha opinião nos últimos seis anos e mantido meus valores. Não mudei, não cedi e não deixei de acreditar.
Apenas faça isso: pense por você mesmo, analise bem o que vai dizer e postar nas redes sociais. Por que você acredita no que acredita? Suas ideias são suas mesmo ou uma cópia de outras pessoas com quem convive? A vida passa rápido e só temos esta pra viver. Seja você mesmo e não prejudique o outro. É um tanto clichê mas é bom refletir e fazer a coisa certa, justa. E como complemente perfeito, mais um vídeo do canal POLIGONAUTAS. C'est fini.






segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Mais um ano vivido... que bom!





Por mais que tente fugir do assunto, é quase inevitável não fazer uma autoavaliação do ano que termina e os planos para os próximos 12 meses que vão constituir 2017. Ainda mais considerando que acabo de vir do meu 26º aniversário e do Natal. Sei que tem gente "estraga prazeres" que não gosta desse clima de festividade e otimismo, mas eu adoro (por mais que eu tenha meus momentos depressivos durante o ano).
Adoro sim ver que continuo com saúde, família, amigos, trabalho e fazendo coisas que amo, como ler ótimos livros, ver filmes variados, escrever, brincar com animais e passear (mesmo com a falta de tempo). O mundo é um lugar enorme e assustador de vez em quando, mas permite tantas experiências únicas. Cada tempo vivido não volta mais. Como isso pode ser bom e estranho ao mesmo tempo.
Tivemos, como as retrospectivas da mídia adoram mostrar, péssimas notícias este ano - muita intolerância, guerras, catástrofes, acidentes, decepções políticas em todo lugar e a morte de uma porção de grandes talentos que vão fazer muita falta. Mas também tivemos avanços, obviamente, sobretudo graças aos recursos da Internet e as tecnologias que tornam o mundo cada vez mais prático e permitindo resolver muitos problemas cada vez mais rápido.
Sigo com meus projetos e espero ter grandes avanços com eles no ano que vem, em especial um projeto literário de longa data (já deixei muitos trechos aqui em postagens anteriores), além dos que continuo desenvolvendo para teatro e cinema. Sim, sou sonhador e busco melhorar a cada dia, como ser humano, como espírito, como escritor. Não importa se vou viver 30 ou 100 anos. O quero é ter sempre a consciência tranquila de ter sido um homem digno e que viveu fazendo o que gostava.
Faça sua vida valer a pena para você e para um mundo melhor. Um Feliz 2017 e a todos que lêem este meu blog! Obrigado mais uma vez pela parceria!

sábado, 12 de novembro de 2016

Hey! Somos todos da mesma espécie!





Uma razão óbvia serviu de gota d'água para que eu resolvesse escrever mais um texto reflexivo aqui. Sim, são as eleições estadunidenses ocorridas esta semana. E o que já parecia um tanto óbvio nos últimos anos ficou ainda mais evidente agora: a crescente e infeliz onda de ódio virtual e uma espécie de divisão entre as criaturas humanas deste planeta. Pode chamar de esquerda e direita, brancos e outras cores, pobres e ricos, conservadores e liberais, nativos e estrangeiros, preconceituosos e mentes abertas... Há uma porção de rótulos que as pessoas tendem a colocar em si próprias e nos outros. De maneira simples poderíamos resumir como uma necessidade de defender seus interesses (e de seus grupos) e se sentir melhores que os outros.
Por mais que eu tente ficar longe dos comentários muitas vezes um tanto insensatos nos vídeos e reportagens online, volta e meia eu acabo parando neles e me decepcionado como uma mediocridade tenebrosa vinda de indivíduos que são da mesma espécie que eu e você(!). Sim, todos seres humanos, habitantes desde mesmo planeta e compartilhando este tempo atual. Como disse no início, muitas vezes isso não passa de um recurso um tanto patético de se proteger do novo, do diferente, daquilo que pode representar uma mudança a um estilo de vida outrora privilegiado. 
Foi assim com os negros até a época da escravidão (mas que ainda deixa ecos desagradáveis), os direitos das mulheres, os portadores de deficiências e doenças que dificultam a interação social, as culturas históricas, com a preservação dos recursos naturais... Enfim, questões que no passado eram ignoradas ou relegadas a um tratamento inadequado. Neste ponto, ao menos podemos constatar o quanto tantas coisas têm sido feitas ao redor do globo para garantir mais igualdade e um mundo mais digno, por mais que isso ocorra em velocidades tão distintas.
Voltando ao gancho inicial, sim, aquele cara estranho foi eleito lá naquele país e não temos como garantir de que forma o mundo vai evoluir ou regredir em sua gestão. Mas torçamos ao menos para que não piore. O planeta agradece. Somos todos moradores daqui. Temos a mesma origem. Não importa sua nacionalidade, características financeiras ou conta bancária. Eu, você e todo o resto somos todos humanos. Isso basta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Os vazios nossos de cada dia




"A Árvore da Vida" (2011), de Terrence Malick.


O que fazer quando acho que já escrevi sobre praticamente todas as questões que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos? Estive pensando esta semana sobre o que postar aqui neste blog: mais reflexões sobre a sociedade, algum conto novo ou deixar por aqui o rascunho de algum projeto que deixei na gaveta.
Amo escrever e isso é certamente um dos combustíveis de minha existência, seja lá quanto tempo eu vá viver nesta dimensão. Tenho lido incríveis livros e vistos vários filmes memoráveis, sem contar os que ainda estão na lista de espera para serem degustados. Brasileiros, europeus, estadunidenses, contemporâneos, clássicos. Obras de grandes artistas têm me proporcionado prazer e me inspirado a continuar treinando a escrita. Defini como minhas prioridades atuais um romance de horror iniciado lá na adolescência (reta final de revisão) e o roteiro de um drama de época (é claro que sonho que ela será filmada ou gravada num futuro próximo...).
Mas voltando a falar desses vazios que volta e meia nos atormentam e alimentam aquelas bizarras crises existenciais, tenho pensado muito no assunto sob diferentes ângulos. Pode ser o vazio da ausência de criatividade tão comum e torturante de tempos em tempos aos artistas, o vazio emocional de uma carência emocional, o vazio do inconformismo com os problemas sociais e nossa "impotente" capacidade de melhorar o mundo... Nestes meus 25 anos tenho consciência de que meu mundo interior é muito turbulento de ideias e questionamentos e como isso às vezes parece  ser um desafio num mundo tão prático e movido a dinheiro. Há espaço para pessoas sensíveis e observadoras neste planeta?
Enfim, sinto que precisava escrever um pouco neste blog e não perder a chance de soltar as ideias mais uma vez para quem quiser passar por aqui. Opiniões, sugestões e críticas são bem-vindas. Precisamos nos expressar de alguma forma. E este é meu jeito de fazer isso. Até a próxima!

domingo, 4 de setembro de 2016

O que esperar depois de 2016?



"Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you
Acting on your best behaviour
Turn your back on mother nature
Everybody wants to rule the world"
" (Tears for Fears)


Já estamos em setembro e daqui a pouco começa todo aquele ciclo de avaliação do ano, Natal, Ano Novo... E meu aniversário, dia 20 de dezembro, é claro... Mas hoje parei pra pensar sobre o que os próximos anos podem nos reservar considerando tudo que temos vivido ultimamente. Que coisas mais a humanidade pode inventar? O que será das pessoas com toda essa tecnologia disponível e mais um pouco?
Estamos tão imediatistas, narcisistas (assumindo ou não) e preocupados em aproveitar as possibilidades que o sentimento de frustração deve estar cada vez mais óbvio a nossos colegas de planeta. Falo por experiência própria. Como um ser que ama ficção, livros, filmes, curiosidade, História e uma porção de assuntos, tenho uma facilidade a me distrair e me perder no labirinto da Internet toda vez que acesso, seja no notebook, na Smart TV, no Smartphone (engraçado escrever esses nomes) ou no computador tradicioal do trabalho... E pensar que 10 anos atrás, no colégio, os livros da Biblioteca Municipal e as revistas de banca já eram um universo riquíssimo pra mim.
São todos modismos hoje em dia que fica difícil saber quanto tempo dura e qual vai ser o próximo. Pode ser se tornar mais um YouTuber pra falar de qualquer assunto e criticar tudo (de brinco a política internacional), cantar músicas com "letras" sobre muito álcool, pegação e festas sem fim, caçar Pokémon ou qualquer coisa que afaste as pessoas da realidade e tragam alguma espécie de prazer e aplausos de uma plateia virtual. Não que fugir da realidade seja algo muito ruim, afinal o mundo é louco mesmo e já constatamos que não adianta querer levar tudo a sério demais.
Só sei que continuo com minhas humildes redes sociais e este blog onde faço estas reflexões casuais. Nada demais, porém bom pra liberar meus pensamentos e compartilhá-los com quem se interesse. Opiniões são sempre bem-vindas por aqui e na página do Facebook
Se não curtiu, vá  e seja mais um a participar de mais uma página de pensamento livre. A dica-clichê é: seja você mesmo e não mais uma vítima de delírio coletivo. No final, nada disso importa mesmo. Apenas o que você foi e fez ao seu redor. E um ótimo restante de 2016!
E pra fechar, com a dica habitual de vídeo, uma fala do grande Mario Sergio Cortella.




terça-feira, 9 de agosto de 2016

7 filmes que marcaram minha vida (até agora)


Fazer listas de "melhores" é sempre um negócio complicado, mas como o próprio título desta postagem diz, aqui é algo extremamente pessoal. Não se trata de dizer que algo é uma obra-prima, mas é apenas uma relação de filmes que marcaram meus primeiros 25 anos de existência neste mundo.
Como sete é um número representativo de tanta coisa, fiz esta seleção difícil e variada, passeando por épocas e gêneros. Abaixo, comentários breves acompanhados de trailers ou cenas das obras que escolhi de acordo com minha mentalidade do dia de hoje. Os títulos estão em ordem alfabética (não de preferência).



O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968)
Acho que este é o primeiro filme perturbador que vi. Impossível me esquecer de quando o assisti, anos atrás, na adolescência, e fiquei com todas aquelas imagens e informações na minha cabeça. Até que o assisti outra e outra e outra vez e passei a entender muitos detalhes.



Carnaval de Almas (Carnival of Souls, 1962)
Uma das obras mais interessantes que já vi como fã de histórias sobrenaturais e certamente um grande filme também. Apesar do baixo orçamento, a produção surpreende com sua fotografia em preto-e-branco, música tétrica e surpresas no roteiro, sendo referência para mestres como Martin Scorcese e George A. Romero.




Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950)
O melhor filme já feito sobre o próprio cinema, é uma aula de roteiro, ironia e sofisticação. A obsessão de uma atriz veterana para voltar ao estrelado faz com que nos sintamos espectadores e cúmplices ao mesmo tempo, nunca sabendo exatamente se entendemos ou abominamos o comportamento da personagem.



Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)
Uma lista de melhores sem Hitchcock não pode existir. O mestre do suspense esbanja o melhor de seu melhor neste clássico com investigação, voyeurismo e o fino humor britânico de sempre. Num cenário muito bem montado, investigamos o personagem principal na resolução de um intrigante assassinato num conjunto de apartamentos. Insuperável.



Papai Pernilongo (Daddy Long Legs, 1955)
Apesar de eu ser um tanto desajeitado, sou fascinado por danças bem coreografadas e executadas. É o caso deste musical dos anos 50 estrelado pelo lendário bailarino Fred Astaire e a encantadora francesa Leslie Caron. Um misto de comédia, romance e musical, esta obra resiste muito bem ao tempo e foi uma grata surpresa vê-la recentemente.



Piquenique na Montanha Misteriosa (Picnic at Hanging Rock, 1975)
Extremamente intrigante e envolvente, esta obra australiana continua a fascinar com seu final aberto e mistério inconcluso. O que houve, afinal, com aquelas meninas? Muito bem dirigido por Peter Weir e com bela fotografia e trilha sonora, é daqueles filmes que ficam na memória.



Sonata de Outono (Höstsonaten, 1978)
Provavelmente a melhor abordagem da relação entre mãe e filho/a na história do cinema. A parceria Ingmar Bergman, Ingrid Bergman e Liv Ullmann atinge altíssimos níveis de arte e beleza, por mais que a tristeza toque nossos sentimentos mais íntimos. Não importa qual seja a época, relações humanas serão sempre complexas, ainda mais com uma bela música e os tons verdes e vermelhos do outono.


domingo, 10 de julho de 2016

Pensar antes de falar faz bem



As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.



A frase foi proferida pelo professor e escritor Umberto Eco (1923-2016), falecido recentemente e autor de vários livros notáveis publicados por aqui, como "O Nome da Rosa", "O Cemitério de Praga" e "Número Zero". Este último, seu canto do cisne, tive o prazer de adquirir recentemente. E aproveito para deixar minhas impressões sobre um assunto, que, volta e meia, chego a comentar por aqui.
Pra começar mais uma breve reflexão, preciso dizer que concordo com o pensamento de que é melhor ter excesso de informações do que falta. Como curioso que sempre fui e buscando conteúdos em revistas, livros e na internet (memória de almanaque é uma loucura...), acabo esbarrando em todo tipo de ponto de vista, sejam blogs pessoais como este meu ou simples comentários em vídeos do YouTube e posts do Facebook. E foi justamente dessas observações somadas a coisas que vejo aqui e ali na boca das pessoas ou repercutindo na mídia que tive o interesse e a necessidade de me expressar sobre esse ódio e ignorância que hoje parecem muito mais evidentes do que antes.
Dia desses, por exemplo, vi vídeos de uma jovem (felizmente não me recordo o nome) que falava com o maior orgulho sobre tipos de pessoas e fatos que ela tratava com o maior sarcasmo sem qualquer preocupação com a veracidade e o julgamento correto. E embaixo vinha a horda de seguidores e apoiadores a comentarem, como discípulos a escolher seu líder, o farol duvidoso de um novo tempo. Um tempo que, para certas pessoas (com problema de autoconfiança, imagino), representa a degradação total dos valores morais, da família, das instituições... Mas bem sabemos que preconceituosos e oportunistas sempre existiram, como bem ressaltou Umberto Ecco na frase que abriu este texto, só estão mais óbvios agora em seus perfis virtuais (verdadeiros ou não).
Se uma mulher aparece na mídia porque foi espancada pelo namorado vão dizer que ela gostava de apanhar, se um gay diz que sofreu preconceito vão falar que é "mimimi", se um negro é confundido com assaltante vão falar que ele devia usar roupas que fizessem com que ele parecesse mais sério (!)... São só exemplos de situações que reforçam comportamentos que, por épocas, foram considerados rotineiros, fosse a misoginia, o racismo, a homofobia, a xenofobia, as intolerâncias culturais e religiosas, o desrespeito à natureza. É tanta questão pendente que precisa ser bem resolvida no século 21 que chega a parecer que o mundo é caótico ao extremo e não há qualquer solução, como se precisássemos começar do zero em outro lugar.
Mas sou relativamente otimista porque hoje a consciência de responsabilidade e respeito afloram cada vez mais cedo. Faça o que quiser da sua vida, mas só não faça mal aos outros. Uma frase simples que é basicamente minha forma de "classificar" as pessoas. Não há ninguém absolutamente bom ou absolutamente ruim, mas é muito melhor estar do lado daqueles que pendem para o positivo. O mundo não gira ao redor de mim ou de você ou daquele desconhecido lá. Uma boa dose de sensatez faz bem antes de realizarmos ações que afetem a vida de outras pessoas.
Abaixo indico mais um vídeo do canal Poligonautas, que é excelente e um dos poucos que sigo atualmente. Sempre com vídeos inteligentes sobre temas variados.



quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mulheres como inspiração (e cenas de uma nova história)





Sempre que paro para pensar em grandes filmes e peças de teatro que têm me fascinado, percebo que a maioria dela gira em torno de personagens femininas marcantes. Podem ser lindas, pavorosas, sedutoras, trágicas, doces, loucas, frágeis, duronas... Não importa. O que chama a atenção mesmo é o potencial dessas personagens e das atrizes que as interpretam e como revelam o que há de mais fascinante e sombrio nas demais mulheres e também em nós homens, que somos gerados no ventre desse que é o mais complexo dos sexos.
O que seria da dramaturgia sem a Medeia de Eurípedes, Julieta e  Lady MacBeth de Shakespeare e a Miss Julie de Strindberg? Sem citar as mulheres criadas pelo russo Tcheckov... No campo do cinema não dá pra esquecer tantas que nos fascinaram pela forma incrível como foram escritas e encarnadas, passando pela impaciente Norma Desmond de Gloria Swanson em "Crepúsculo dos Deuses" (1950), a frígida Marquesa Isabelle de Merteuil feita por Glenn Close em "Ligações Perigosas" (1988) e, mais recentemente, a Imperatriz Furiosa que Charlize Theron nos brindou em "Mad Max: Estrada da Fúria" (2015).
Introdução e pequena homenagem feita a algumas dessas mulheres que me inspiram a escrever, deixo o trecho de uma peça que comecei no ano passado e não vejo a hora de concluir e poder assistir encenada pelas mulheres que lhe dão título.
Na cena a seguir, que acontece nos primeiros minutos, vemos o diálogo de duas mulheres que acordaram numa praça pela manhã. Uma já senhora e outra mais jovem. O resto é mistério até o texto integral ficar pronto.



CENA


REGINA
Bernadete, traga o meu café logo. Já devia estar aqui.

Maria José observa, de longe, sem entender qualquer coisa.

REGINA
Meu café, Bernadete! Perdeu a hora hoje? (ela olha para Madalena, ao seu lado) O que é isso aqui ao meu lado? É algum baile de carnaval? Que fantasia horrenda, meu Deus.

MARIA JOSÉ
Eu conheço a senhora? Alguém poderia me explicar como eu vim parar...

REGINA
Pare de brincadeiras, Bernadete. Eu sei que você deve ser a substituta da outra atriz, mas precisa saber suas falas de cor, Bernadete.

MARIA JOSÉ
Meu nome é Maria José...

REGINA
Mas isso não me importa. Se é Maria Cristina, Maria Rita, Maria Maria. O importante é que você está interpretando Bernadete. Ou foi mandada por acaso pra esse teatro?

MARIA JOSÉ
Isso aqui não me parece um teatro. É uma praça qualquer. Eu acordei aqui e a senhora também.

REGINA
E que fantasia é esta? Uma mulher fardada. Isso não existia naquela época. Bernadete era uma governanta. Não isso aí... Tem uma espingarda também?

MARIA JOSÉ
Sim... Essa fantasia aqui é a minha de policial também. É isso o que eu faço. Aponto arma e prendo pessoas. A senhora gostaria de ir também?

REGINA
Regina Cordeiro Magalhães. (colocando os óculos de grau) Realmente você não serve pra interpretar a Bernadete. Ela é muito mais velha que você. Você não deve ter mais do que 35. Eu nem falo porque tenho mais que o dobro. Onde está a outra atriz? (levantando-se) Eu consegui decorar todas as minhas falas. Os ensaios já acabaram? Como é que eu vim parar aqui?

MARIA JOSÉ: É o que eu tenho tentado descobrir durante os últimos minutos, senhora. Eu não me lembro de ter vindo aqui antes. 

REGINA
Será que fomos vítimas daquele golpe? Como se chama aquilo com nome de conto de fadas?

MARIA JOSÉ
É o “boa noite Cinderela”.

REGINA
Mas não é a Bela Adormecida que dorme profundamente? Meu Deus, será que fomos abusadas? Imagine um homem estranho tocando em mim a essa altura da vida... Faz tanto tempo que eu não sinto aquilo. E o pior é que eu não vi nada. Uma dama, num banco de praça, à essa altura da vida... Eu sempre soube que os herdeiros de meu finado marido fariam qualquer coisa pra ficar com os meus bens, mas isso? É um pesadelo? Preciso acordar. Dá uma sacudida em mim.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A ficção (e por que não vivo sem ela)




Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever. 
(Clarice Lispector)


De vez em quando fico pensando sobre o porquê de eu ser tão apaixonado por narrativas. Pode ser um conto, um romance, um filme, uma peça teatral e até um pequeno desenho a lápis. Desde muito cedo tive a tendência a imaginar cenas e fantasiar sobre uma variedade de coisas que apareciam no meu caminho. 
Como seria viver naquele lugar que só vi numa foto? Como era a vida naquele casarão antes dele ter ficado vazio? Como era a relação daquelas pessoas quando conviviam? Perguntas que vão e vem e me dão combustível para escrever diferentes histórias, muitas vezes um tanto distantes da minha própria realidade. Se é só inspiração ou se há algo de espiritual nisso eu não sei. Mas só sei que sem histórias não vivo.
Lembro-me muito bem dos meus primeiros projetos de ficção na pré-adolescência (e que sei lá por que não vingaram...). Tinha peça de teatro na escola no estilo "Escolinha do Professor Raimundo" (fazíamos vários ensaios aqui em casa) e até a tentativa de escrever uma novela (!) na época em que eu era viciado em ver folhetins e não perdia um capítulo (de reprises a novelas mexicanas). Enfim, isso é passado, mas não posso negar a importância que aquela fase de telespectador aos 10, 12 anos de idade teve no meu processo de formação como "contador" de histórias.
Aos 14, 15 anos fiquei fissurado em filmes e passei a pesquisar e ler sobre muitos filmes que ainda nem havia tido a chance de ver e, de lá pra cá, comecei a alugar e comprar o máximo que pude. Dez anos depois ainda faço lista de clássicos que quero ver, coisa que a internet me ajuda (e muito) hoje em dia, já que muitas das películas podem ser vistas gratuitamente no YouTube e outros sites por aí.
Aqui no blog e sua página do Facebook (curta aqui se ainda não o fez) e meu Instagram (siga aí) sempre estou postando fotos, trechos e cenas de muitos desses livros e filmes que tenho lido/visto ou que estão na minha lista. A curiosidade e o fascínio pela fantasia me levaram aos desenhos e filmes. E destes fui sendo seduzido cada vez mais para o mundo das palavras, como leitor e aspirante a escritor de algumas coisas, como tento me definir para não me sentir muito distante do mundo "real" em que vivo. Se tenho talento e algum futuro só outros podem me dizer, mas certamente já tive e continuo tendo muito prazer com a escrita. E sigo tentando e sonhando e lendo e vendo filmes, afinal, sem ficção parte da minha vida não tem sentido. Para fechar de forma apropriada, abaixo o trailer de um filme, por sua vez baseado em um livro, que fala sobre um escritor. Por hoje é só.